Construção

Música… como dizem os mais velhos, “faz bem pro corpo e pra alma”. Outro dia me perguntei por que raios nunca tinha escrito sobre música, sendo que música é cultura e também arte (e das boas). Então a primeira música que me veio a cabeça foi “Construção”, do Chico Buarque.

Já perdi as contas de quantas vezes ouvi e perdi mais ainda as contas de quantas vezes tentei decorar e não consegui. Tão bem orquestrada, tão bem montada e com uma arquitetura tão inteligente que até Gaudí invejaria. As palavras se misturam num carrossel interminável, como se os genes estivessem em constante mudança desenhando o futuro da vida.

Não sei em quem ele se baseou para escrevê-la, só sei que fez de uma forma que alguém jamais faria. É incrível ver como ele conseguiu contextualizar a vida de um trabalhador brasileiro; vida massante que permeia todas as suas relações (dentro ou fora do contexto do trabalho). Ele olha para um operário que até então “passava batido”, todavia o mesmo que ganha vida à leva de uma forma mísera devido ao seu cotidiano, seu dia a dia é chulo por simplesmente não ter direito a muitas escolhas já que a vida escolheu que ele deveria seguir assim… trabalhando e aproveitando pouco.

Enfim, é uma música que traz uma leitura nova a cada audição; boa parte da interpretação se deve ao ouvinte da Construção.

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

Ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=P7mHf-UCZp0

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Filme “O Espetacular Homem-Aranha”

Outro dia alugamos O Espetacular Homem-Aranha. Eu não sabia se era uma releitura ou uma continuação dos filmes que retratam as histórias em quadrinhos, todavia eu “fui lá” checar do que se tratava.

O filme na verdade recomeça a história da série Homem-Aranha nos cinemas contando o mesmo enredo: um menino (Peter) que foi deixado pelos seus pais na casa dos seus tios que então o criaram. Ele descobre na casa uma maleta que pertenceu ao seu pai, então resolve pesquisar o sumiço dos seus pais e quais segredos eles escondiam, com isso ele se depara com o antigo sócio do seu pai que hoje é dono de um grande laboratório. Quando o Peter vai visitar este laboratório para conversar com antigo amigo de seu pai (Dr Connors), um grande acidente acontece, tendo assim os seus genes combinados com os genes de uma aranha, tornando-se então o Homem-Aranha. Depois a história se desenrola e o Homem-Aranha acaba enfrentando o alter-ego do Dr Connors, o Lagarto.

O filme tem excelentes efeitos visuais e a meu ver o protagonista é outro boboca virando super-herói, aliás eu não entendo como o herói com o poder mais legal de todos (frente a Wolverine, Super-Homem, Homem-Morcego) é tão bobo. Tudo bem escolherem um nerd para ser um herói (os nerds devem adorar isso), mas precisa ser tão sonso? Já não gostava do primeiro Homem-Aranha, desse então… quase torci para o seu inimigo vencê-lo.

Enfim, tirando que o protagonista tem cara de paspalho, acho que vale a pena ver o filme, pois os outros atores são muito bons e como todo filme americano, eles investem pesado na produção do longa metragem.

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Erica Hans

A dica de hoje é um blog que eu adoro e que é de uma amiga minha. Já postei aqui blogs de outras amigas, mas não é nepotismo (juro), é que realmente gosto do que as minhas amigas escrevem.

O blog dela fala sobre várias coisas, como: comportamento, emagrecimento, moda, pensamentos soltos… enfim, tudo que permeia a vida de uma mulher moderna.

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Ela também dá dicas de comidas saudáveis, com pouca caloria e que não dispensam uma bela apresentação.

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O bacana é que ela mistura os textos, ou seja, ela escreve como as mulheres pensam mesmo… um dia falando de um assunto e no outro dia abordando outro tópico. Até de decoração ela fala, olha só:

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Também tem vídeos explicando alguns aplicativos de celular, super legais: http://www.ericahans.com.br/blog/category/aplicativos/

Ficou curioso? Quer saber mais? Então acesse: http://www.ericahans.com.br/

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Arte Moderna

Hoje recebi um vídeo que me fez refletir “o que é arte?“. Eu sempre digo que adoro arte em todas as suas formas de expressão, mas o que define o que é arte ou não?

Se corrermos para o Michaelis ele dirá que arte é “1 Conjunto de regras para dizer ou fazer com acerto alguma coisa. Livro ou tratado que contêm essas regras. 3 Obra didática, que contém os princípios de alguma disciplina. 4 Execução prática de uma ideia. 5 Saber ou perícia em empregar os meios para conseguir um resultado. Filos Complexo de regras e processos para a produção de um efeito estético determinado. Habilidade. 8 Artifício. 9 Maneira, modo, jeito. 10 Profissão, ofício. 11 Manufatura.“, mas o “engraçado” é que arte também significa “12 Habilidade calculada, por vezes, inocente, mas, outras vezes, implicando dissimulação e hipocrisia; artimanha, astúcia, engano. 13 Maldade, malícia.“, ou seja, para provar que algo é uma obra de arte ou não é muito difícil, pois arte nunca é algo concreto ou exato; pois para um grupo um quadro abstrato pode ser uma arte divina e para outros pode ser simplesmente “um bando de rabiscos”. Claro que tem certas regras, conhecimentos técnicos e estudos para embasar melhor uma obra, mas o irreverente disso tudo é que nunca todos terão certeza daquilo que estão vendo (e sim, tem muita malícia e hipocrisia neste universo tão pequeno).

O video em questão é um video do canal do Youtube Porta dos Fundos, famosos por ironizarem vários assuntos polêmicos e não terem nenhum tipo de tabu na hora de falar de sexo, arte ou até mesmo D’us.

O que eu achei bacana no vídeo é que eles mostram que tem pessoas que se auto intitulam artistas fazendo grandes obscenidades (não no sentido sexual da palavra) e acham que estão inovando o panorama cultural e artístico do mundo (ou de sua época). E o pior de tudo isso? O pior é que tem tanto ignorante (ignorante no sentido literário; ignora o conhecimento; desconhece o assunto) apoiando essas maluquices que as vezes eu me pego pensando “por que eu não faço uma coisa idiota dessas e vendo por 20 mil reais?”.

Bom, vocês devem estar se perguntando que video é esse que foi citado em todo o texto, então cá está ele: http://www.youtube.com/watch?v=0Dt8ZFihbno

Depois deste redemoinho de pensamentos eu me “pego” pesquisando o que está acontecendo no cenário cultural e volto a pensar que podem criar o que quiserem, todavia eu vou continuar adorando as telas de Van Gogh e Dalí.

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